Como forma de homenagem ao Dia Internacional da Mulher – 8 de março, o Grupo de Ação e Pesquisa em Educação Popular ressalta mulheres que merecem reconhecimento por sua trajetória de vida, ações ou pensamentos, que para cada integrante do grupo acentua a definição de mulher. Confira:

Nise da Silveira

Nise da Silveira“Em 1926, Nise da Silveira foi uma das primeiras mulheres a se formar em medicina no Brasil, bem como a única mulher entre os 157 alunos da turma. Na época, cabe lembrar, excetuando-se as áreas de magistério e de enfermagem, a população feminina não tinha acesso às profissões da esfera pública. Foi uma das poucas mulheres a assinar o “Manifesto dos trabalhadores intelectuais ao povo brasileiro”. É conhecida por humanizar o tratamento psiquiátrico no Brasil, sendo contrária às formas agressivas usadas na época. O trabalho de Nise é pioneiro na luta antimanicomial no país.

 Enxergou a riqueza de seres humanos que estavam ‘no meio do caminho’. Entre o existir e a dignidade. Entre a loucura e a exclusão total. Entre o aceitável e o abominável. Usou a arte para reabilitar os pacientes. Esquizofrênicos marginalizados e esquecidos puderam ser autores de obras hoje expostas no “Museu de Imagens do Inconsciente”, no Rio de Janeiro – RJ. Constatou que o seu mundo interno, considerado inatingível até então, poderia ser acessado, revelando as emoções desses pacientes por meio das artes plásticas. A arte marcou o renascimento daquelas pessoas para a sociedade. Nise teve coragem de dizer e não colaborar com aquilo que não via como certo. Teve coragem de mudar a vida daqueles que precisavam dessa mudança e mostrou a necessidade dela. Portanto, foi uma mulher à frente do seu tempo, que quebrou imposições sociais e serve de exemplo para todos nós.

– Bruna Leticia

Frida Kahlo

frida“E hoje para celebrar esta data tão especial, é inevitável não falar de alguém que marcou a história da humanidade: Frida Kahlo, e principalmente a vida da mulher, nasceu na cidade de Coyacán no México em 6 de julho de 1907. Militante do partido comunista mexicano, sofreu muito durante a sua vida, principalmente na adolescência quando aos 18 anos sofreu um acidente e ficou entre a vida e a morte. Foi então que ela se dedicou a pintura, Frida foi uma das pintoras mais privilegiadas do mercado internacional de arte, ela pintava telas de autorretrato, pintava momentos de sua vida, dos seus sentimentos e da sua alma.

 Feminista, Frida gostava de quebrar tabus, não atendia o padrão estético da mulher, nunca se preocupou com a opinião alheia, ela com certeza me representa como mulher, uma figura forte que apesar das circunstâncias da vida, encarou tudo que passou com muita sabedoria e luz no coração. “Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?”

  Acredito que como a Frida nós podemos ser quem quisermos basta a nossa vontade.

 VIVA, FRIDA! Viva em mim, na menina que não atende ao padrão estético e na mulher que não pode ser mãe ou simplesmente não o quer. Viva na mulher que precisa enfrentar um mercado de trabalho que valoriza mais o homem e na mulher que ama e se relaciona também com outras mulheres.

Viva naquelas que não tem o corpo saudável, que possuem limitações físicas, mas mesmo assim se superam dia a dia. Viva na mulher, que além de sofrer por isso, sofre por ser negra. Viva, Frida, em todas nós com tua força, audácia e paixão!’’

– Eliane Farias

Olália Fátima da Silva

olalia“Mulher agricultora, casada, mãe de 4 filhos, hoje com 56 anos, reside com esposo e filhos no Assentamento Conquista dos Cerros, interior do município de Candiota – Rio Grande do Sul.

 Em busca da “terra prometida”, Olália saiu de Santa Maria em 2000 juntamente a outras famílias Sem Terra, rumo a Hulha Negra/RS. No ano de 2001, com a ocupação e desapropriação da área, se deslocaram à Candiota/RS onde residem até a presente dada.

 Sempre ativa na luta social, participou decisivamente na organização das famílias para desenvolver a produção de autoconsumo bem como na alfabetização das crianças e jovens daquele acampamento, tanto que foi professora por um período em que não havia se quer estradas para acesso do transporte escolar, o que aconteceu somente após 3 anos.

 Defensora árdua da Agroecologia, é uma referência da região na produção de alimentos livre de agrotóxicos, contribuindo com estudos e pesquisas das universidades URCAMP, UNIPAMPA e UFPEL, também EMBRAPA.

 Carinhosamente chamada de “cocóta”, participa e é uma das articuladoras da feira municipal dos agricultores de Candiota. Também foi candidata a vereadora no ano de 2012, acreditando sempre na necessidade de mudanças estruturantes na sociedade. É uma das coordenadoras do grupo de mulheres do campo, que desenvolvem várias atividades culturais, políticas e produtivas dentro e fora do município.

 Reitero que além dos afazeres domésticos, conseguiu estabelecer uma relação de respeito e valorização do seu trabalho na sociedade. É percebido que a consciência de gênero é bastante avançada naquela família, seja na divisão do trabalho ou na luta pela busca dos direitos de forma aguerrida. É sem sombra de dúvida, UMA LUTADORA DAS CAUSAS DO POVO!”

Geferson Prediger

Maria Mônica Crispim

Maria “Nesse dia da mulher eu gostaria de homenagear muitas, desde as mais próximas até aquelas que conheço apenas pelos nomes, por suas histórias. De todas, porém, existe uma que une os traços mais fortes, belos e amorosos que eu já vi coexistirem. O feminismo em sua vida foi sobrevivência resistente, mesmo sem conhecer a teoria. E a sua luta agora se esconde detrás de olhos ainda sonhadores e, por vezes nas nossas despedidas, repletos de lágrimas.

 Maria sobreviveu a uma infância pobre, carregando o mesmo nome de sua mãe e o fardo de primogênita. Passou pela ditadura militar com cinco filhos a criar. Chegou a trabalhar em dois empregos e, como ela mesma conta, um dia teve que pular o muro para fugir da uma enchente, porque precisava voltar para seus filhos em casa. Mas quando já senhora viajou pela primeira vez de avião, diz ter sentido muito medo “porque ele fazia um barulho muito alto assim…”.

 Maria, seu nome é comum e habita em mim como Vó. E Vó, por toda a sua luta, sua vida e seu carinho, eu te admiro. Vejo em ti a mulher incrível que és e as mulheres incríveis que criou. Espero que um dia ser mulher não signifique termos que lutar tanto, mas enquanto a luta for viva e necessária, é na tua força que me baseio. Eu te amo e, saibas, sinto saudades.”

– Graziele Cardozo

Rosana Urbes

Rosana“‘Mulheres não realizam nenhum trabalho criativo relacionado à preparação dos desenhos para exibição, já que esse trabalho é realizado exclusivamente por homens‘ dizia uma carta de 1938, escrita por Walt Disney para uma mulher que demonstrou interesse em estudar na escola de treinamento para artistas da Disney.

Os tempos mudaram, mas a animação ainda é um ramo dominado por homens. Rosana Urbes é uma das mulheres que são exemplo de talento e persistência, que lutam para transformar isso. A animadora foi uma das poucas brasileiras a trabalhar na Disney e conquistar o seu espaço. Durante alguns anos ela trabalhou fazendo filmes de longa-metragem de animação e ilustrando histórias para livros infantis. Trabalhou em filmes como Mulan, Tarzan, Lilo & Stich, sempre com personagens femininos, preferência e escolha da ilustradora. Seu curta-metragem “Guida” também foi bastante premiado por todo o mundo. Bravamente, Rosana mostra que mulheres podem atuar em qualquer área, mesmo as majoritariamente masculinas, e que podem e serão bem-sucedidas nelas.”

– Isabela Maria 

Simone Romanelli

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“Mulheres que não se deixam calar, mulheres que não deixam suas atitudes de lado porque outros se opõem, mulheres que enquanto puderem retribuem bondade e feitos.

 Eu desconheço a vida pessoal de Simone Romanelli, não sei se ela é mãe, solteira ou casada. Mas posso dizer que ela está fazendo história nesse exato momento ao ser presidente do Asylo do Rio Grande. Local que necessitava de garra para enfrentar os problemas que administrações passadas fechavam os olhos. Simone tem mostrado que é preciso dar atenção aos que estavam sendo ignorados, cuidar daqueles que muito viveram e cuidaram, e hoje precisam ser cuidados.

 Acredito que ser mulher tem muito disso: não ignorar o sofrimento alheio. Por isso se agarra a alguma causa no decorrer da vida: cuidar das plantas, dos animais, dos necessitados, apoiar lutas. É a demonstração que toda mulher é mãe porque se transforma em abrigo,  apoio, cuidado e atenção, não importa quem são ou o que são seus filhos.

 A mulher quando abraça uma causa, como Simone, quer oferecer o melhor de si, quer que os outros se comovam também, quer não ter tudo para si e poder dividir, dividir ideias, sentimentos, feitos, etc. Ser mulher é saber que abriga em si uma guerreira e mãe.”

– Jéssica Corrêa

Silvana Tillmann

17124576_1655369794491586_881649526_n “Para celebrar o oito de março e no mês de seu aniversário não poderia deixar de destacar uma personalidade pelotense que para mim resume e representa tudo aquilo que eu poderia falar sobre a Mulher.  Silvana Tillmann conforme ela mesma disse: “Fui parida em março de 64, junto à famigerada ditadura militar, abaixo de raios e trovoadas, de parto normalíssimo (…) passei a infância e a pré-adolescência entre e tortura e a morte, ou seja, nos contornos do quartel e do cemitério, em Pelotas/RS, (…) fragatense, da gema.” Casada, mãe de três filhos, professora de Letras e Literatura na rede pública estadual em Pelotas, cinéfila, Mulher.

Professora comprometida com os interesses da classe trabalhadora, profissional incansável frente ao descaso dos governantes com o sistema de ensino. Mãe plantonista e rigorosa. Sem perder as rédeas à submissão evidencia sua paixão de ser esposa com a naturalidade própria de que ama. Acima de qualquer vaidade se permite certos caprichos necessários a qualquer mulher. É implacável com os discursos sexista, sem cair num feminismo desacerbado.  Não esconde a sua rebeldia e irreverencia que para muitos seriam palavras depreciativas, mas para Silvana eu diria que são elogios.

Mulher que vive a vida a seu modo sem se preocupar com os costumes, as tradições ou com um tipo ideal. Suas concepções e visão crítica são espontâneas e transparentes, afloram com uma inquietante naturalidade. Não hesita e não mede palavras quando é preciso fazer uso delas e o faz sem constrangimento. E assim, autenticamente ajusta-se a si e não ao mundo. Destaco essa sua forma de ser, pois representa o que acredito ser verdadeiramente se fazer SER MULHER!”

– Lilian Lorenzato

Sirley da Silva Amaro

Sirley“Nascida no ano de 1936 na cidade de Pelotas, é filha única de Ambrosina Soares Cavalheiro e de João Chaves da Silva. Sua infância foi repleta de brincadeiras e tem dessa época uma boa lembrança, foi nesse período em que Dona Sirley aprendeu a costurar com uma vizinha, as duas se reuniam para escutar telenovela, enquanto costuravam roupas para as bonecas. Desde os 13 anos Sirley trabalhava com costura, profissão que exerceu até o ano de 2007 quando se aposentou. Ela sempre participou de desfiles carnavalescos e das atividades da comunidade negra.

 Atualmente, Dona Sirley desenvolve oficinas de contação de histórias na cidade e região, utilizando a oralidade para contar as suas vivências. Em 2006 Sirley teve contato com a Ação Griô, após ser indicada por um aprendiz de griô de um projeto na Bahia, passando assim por um treinamento de capacitação que tinha como finalidade estimular a tradição oral nas comunidades, valorizando as histórias e a sabedoria dos mais antigos. O termo griô é de origem africana, onde o ancião conta histórias da comunidade mantendo vivo os saberes populares e os compartilhando com todos.

 Dona Sirley em 2007 foi reconhecida pelo Ministério da Cultura e em 2013 foi ganhadora do Prêmio Culturas Populares Edição 100 anos de Mazzaropi.  Escolhi Dona Sirley como uma exemplo de mulher pelo belo trabalho que ela faz com a comunidade, compartilhando sempre suas histórias e ensinando através da oralidade, além de realizar oficinas para confecção de bonecas é uma pessoa incrível que está sempre pronta para conversar e trocar experiências.”

– Mayara Goulart

Referências:

MACHADO, Nailê Silva. O Griô como ferramenta pedagógica teatral. Pelotas, 2013. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso). Curso de Teatro – Licenciatura. Universidade Federal de Pelotas. Pelotas, 2013. Acessado em 06 de Março de 2017, às 18:35


 Todas as mulheres merecem reconhecimento porque ser mulher é uma luta diária. É preciso que a sociedade enxergue as mulheres como merecedoras de direitos iguais, livres e fortes para decidirem o seu próprio caminho.

Assessoria PET – GAPE
Jéssica Corrêa
jesscorreapereira@hotmail.com

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